CONHECIMENTO ANCESTRAL – Terra Preta de Índio.

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Pesquisadores do INPA estudam a ‘terra preda de índio’, na Amazônia (Foto: Bom Dia Amazônia). FONTE: globo.com

Pesquisadores do mundo inteiro têm voltado sua atenção para a chamada Terra Preta de Índio (TPI), da região amazônica. Segundo o pesquisador alemão, Christoph Mueller, “estes solos podem fornecer ideias sobre possíveis práticas de manejo sustentável, que possam ser aplicadas em outras áreas do mundo para melhorar a fertilidade do solo em uma agricultura sustentável” (EMBRAPA).

A TPI é um tipo de solo muito fértil, encontrado na região amazônica. Esse solo tem destaque por não ser típico da região, cujo solo original é muito pobre. A origem da TPI divide as opiniões dos pesquisadores, mas tudo indica que ela é resultado do Conhecimento e da Sabedoria Ancestrais; conhecimento que a comunidade científica tenta resgatar.

Sobre a origem da TPI, a Engenheira Agrônoma Ana Beatriz Coelho diz o seguinte:

A origem de formação destes solos baseia-se em duas hipóteses, a primeira é a antrópica, na qual as TPI teriam sido formadas não intencionalmente pelo homem pré–colombiano, ou seja, consequência do estilo de vida adotado por estas sociedades. A segunda defende que estes solos surgiram nos antigos campos de lavoura dos povos indígenas, e que foram resultados de uma intervenção planejada, ou seja, a chamada hipótese antropogênica. Porém, para um grupo de pesquisadores da Unesp- Câmpus de Jaboticabal, é possível que a combinação de incêndios, secas e chuvas tenham originado o carvão- vegetal, que caracteriza-se por ser o elemento chave para a formação da terra preta.

FONTE: Falacampo.

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Terra Preta de Índio. FONTE: Philip Coppens.

Outra área do conhecimento que se interessa pela TPI é a arqueologia, pois esses solos são também sítios arqueológicos importantíssimos, devido à ocupação humana que sempre se estabeleceu nessas regiões.

A cidade de Manacapuru fica a 85 quilômetros de Manaus, capital do Amazonas. Há centenas de anos, essas áreas eram habitadas por índios. No local onde moravam se encontram as manchas de terra preta. Daí vem o nome terra preta de índio. É um solo criado pelos índios, como diz Newton Falcão, agrônomo do INPA, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.

“Toda a parte escura foi resultado de deposições de restos de capina e de ossos de peixe que seria o lixão do índio. Isso é material orgânico. Não tem plástico, não tem vidro e não tem lata. Eles também usavam o fogo para queimar. Então, a combinação da deposição de grande quantidade de material orgânico fresco com um pouco do material que eles queimaram, foi formando esse perfil considerado bastante fértil e manteve a riqueza de nutrientes durante varia décadas”, explica Falcão.

Normalmente, as áreas de terra preta ficam próximas de rios, em lugares muito bonitos. Em áreas onde a terra foi revolvida pelos agricultores para o plantio costumam surgir vestígios dos antigos moradores. Esse é o caso do sítio onde as mulheres trabalham embalando o maxixe cujo chão está cheio de cacos de cerâmica. Os fragmentos que ajudam a recompor o quebra-cabeça da história da terra preta.

“Uma área com uma concentração grande de urnas funerárias dá claros indícios de que se trata de um cemitério. E está inserido num sítio arqueológico de terra preta com mais de três quilômetros de extensão que foi ocupado intensamente ao longo de muitos séculos”, diz Helena Lima, arqueóloga da UFAM, universidade do Amazonas.

[…]

A terra preta de índio faz o agrônomo sonhar em ter um solo tão fértil. Os arqueólogos sonham em conhecer a história contida no solo. Para quem vive da terra, saber a origem da terra preta de índio é uma questão de identidade.

FONTE: G1.

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A ‘terra preta’, formada por índios pré-colombianos, é caracterizada pela cor escura e a presença de fragmentos de artefatos de cerâmica. Ainda não está claro se é resultante de um processo intencional de melhoria do solo ou um subproduto das atividades agrícolas e de habitação desses povos. (foto cedida pelos autores). FONTE: Ciência Hoje.

A Terra Preta de Índio é mais uma riqueza que devemos preservar, pois não se trata somente da História da nossa terra, mas também de um conhecimento que pode melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas, no mundo todo, pois pode fertilizar solos pobres, de forma sustentável, garantindo quantidade e qualidade de alimentos para diversas populações.

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