Entrevista com Werá Jeguaká Mirim.

“Meu nome é Jeguaká Mirim. Nasci no dia 18 de março de 2001. Moro na aldeia Krukutu, na cidade de São Paulo, região de Parelheiros. Eu sou do povo guarani. Além de falar nossa língua, também falo português. Comecei a aprender com 6 anos de idade, porque aqui na minha casa tinha televisão e eu ficava assistindo aos desenhos – o que facilitou aprender o português mais rápido. Meu pai, que se chama Olívio Jekupé, é escritor e, muitas vezes, lia pra mim. Quando aprendi a ler, eu mesmo comecei a ler e aí senti vontade de ser escritor.”

FONTE: Editora FTD.

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Werá Jeguaká Mirim segurando seu novo livro, Kunumi Guarani.

Werá Jeguaká Mirim é, até o momento, o escritor mais jovem dentro da Literatura Indígena. Filho de Olívio Jekupé, o curumin já começa a seguir os passos do pai e o acompanha em palestras e em eventos de divulgação da Cultura Ancestral.

Jeguaká Mirim ficou famoso ao participar da Abertura da Copa em 2014. Ele foi o representante da nossa ancestralidade indígena no evento, junto com outras crianças que representaram nossos ancestrais europeus e africanos.

O autor nos concedeu uma bela entrevista, em que fala um pouco sobre a forma como começou a escrever, sobre a influência do trabalho de seu pai e sobre a Cultura Ancestral.

Um grande destaque para a entrevista é o fato de Jeguaká Mirim ter feito questão de traduzir tudo para o guarani, uma homenagem à Língua dos antepassados que está viva até hoje em nosso país.

PINDORAMA – Como surgiu a vontade de escrever livros?

JEGUAKÁ MIRIM – Antes de eu saber ler, me pai contava história pra mim e meus outros irmãos à noite, e nisso comecei a gostar de ouvir as histórias, e como meu pai é escritor, então ele lia histórias dos seus livros, e quando aprendei a ler então eu comecei a ler os livros dele, e aos 9 anos de idade eu escrevi uma pequena história e mostrei para meu pai e ele disse que estava muito bonita, e ele pediu pra que eu escrevesse mais porque eu seria um escritor também.

PINDORAMA – Mba’exatu rereko rembopara xea?

JEGUAKÁ MIRIM – Ijypere ndaroayvu kuaai teri jave, xeru xevy historia omombe’u riae xevy há’e gui xeryvy kuery pé pyntu ndjave, há’e rire’i ndjave, xee avi  aendu xe wai, historia, xeru escritor oiko rã, há’e mba’e ae historia omombe’u, rire aroayvu kuaa ndjave, xeru mba’e ae aroayvu, há’e rire 9 anos areko ndjave ambopara kyrin’in historia, há’e ndjave, xeru pe ajauka rã, ijayvu iporã rai, ijayvu ambopara awã avi, escritor avi aiko awã.

PINDORAMA – Como você se sentiu ao ver seu primeiro livro publicado?

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Primeiro livro de Jeguaká Mirim, em parceria com seu irmão Tupã Mirim.

JEGUAKÁ MIRIM – Eu nasci em 2001, e em 2010 eu e meu irmão assinamos o contrato com a Editora FTD, com o livro Contos dos curumins guaranis,  pra lançarmos um livro junto, isso me deixou muito feliz, mas só em 2014 é que o livro foi publicado, mas ao mesmo tempo já com outro livro, pela editora panda books, que se chama Kunumi guarani.

Pra mim foi uma alegria ter dois livros publicados, mas quero ver se escrevo mais um livro para 2015.

PINDORAMA – Mba’exatu re rein rexa vy nde ijypy gua nde kuaxia?

JEGUAKÁ MIRIM – Aiko 2001 py, 2010 pyma xee há’e gui xeryke’y revê rombopara contrato editora FTD py, xe livro contos dos curumin guarani, livro rol anca xeryke’y revê, avy’a raxa, há’egui 2014 pyma livro o publica. Amboae   editora Panda Books py, hery ma- Kunumi guarani, há’egui avy’a rai, livro mokoin alancar vy, aexata ambopara veta livro 2015 py.

PINDORAMA – Você acha importante preservar a Cultura Indígena? Por quê?

JEGUAKÁ MIRIM – Sim, temos que ser como a gente é, eu sou guarani, escrevo e falo em português e guarani, por isso aqui na aldeia ficamos felizes por saber que somos um povo forte.

PINDORAMA – Ndee pa rendu importante pa  pe preserva pende cultura? Mba’ere?

JEGUAKÁ MIRIM –  Taa, nhande ae  jaiko rã, xee guarani, ambopara há’egui xeayvu jurua py há’egui guarani, há’erama rovy’a  apy tekoa py,  ore povo imbaraete ra.

PINDORAMA – Fale um pouco sobre o seu livro Kunumi Guarani.

JEGUAKÁ MIRIM –  Kunumi guarani, é um livro poético, onde eu tento mostrar um pouco da cultura guarani e do dia a dia de uma comunidade e um pouco da minha vida. É um livro que tenho certeza que os professores vão gostar muito porque mostra uma cultura vivida. E espero que esse livro chegue nas aldeias também para que meus parentes guarani possam ler.

PINDORAMA – Ndeayvu kyrin’i de kuaxia rêgua kunumi guarani.

JEGUAKÁ MIRIM – Kunumi guarani, kuaxia poético va’e, ajauka awã kyri’in cultura guarani, há’egui  nhande kuery ara oikoa, há’egui  xe aikoa, kuaxia aikuaa professor kuery  oayvu rã, teko guarani oin rã, oikoague. Aipota xe kuaxia onvãe aguã, tekoa re, xe rentarã kuery ogueroayvu awã.

PINDORAMA – Entre os jovens da Aldeia Krukutu há mais alguém interessado em ser escritor?

JEGUAKÁ MIRIM –  Tem outros sim que tem talento pra escrever, mas uma coisa importante que vejo é que tem muitos garotos que desenham muito bem e que poderiam fazer parte de livros, e eu também desenho e espero que um dia eu consiga publicar um livro e desenhado por mim mesmo. Também sou tradutor posso traduzir textos de português  para o guarani, se alguma editora se interessar é só procurar.

PINDORAMA – Kunimin kuery gui tekoa krukutu pygua iko pa amongue ombopara xe va’e?

JEGUAKÁ MIRIM – Taa, oiko amboae kuery ombopara awã kuaa va’e, va’eri oikoave kynringue kuaxia re mba’emo o ombopara va’e, há’e xe kuaxiaregua há’eve ombopara awã, xeeavi a desenha arõ xe livro ae a desenha awã. Xeeavi aiko tradutor, há’eve a traduzir awã jurua re nhande py, há’eve xe renoin awã editora .

PINDORAMA – Você pretende continuar escrevendo?

JEGUAKÁ MIRIM – Sim, eu quero continuar escrevendo, pois eu gosto muito e na aldeia nós vivemos uma vida cultural e muitas histórias podem ser escritas, e outros garotos da minha idade também podem fazer o mesmo, nós vivemos uma vida nativa por isso gosto da frase do meu pai Olívio Jekupé em que fala que nós indígenas escrevemos literatura nativa.

PINDORAMA – Ndee remboparave ta pa?

JEGUAKÁ MIRIM –  Taa, xee amboparave ta, avy’a py, tekoa py ore cultura, heta cultura há’eve ojapo awã história, heta kyringue há’eve xee rami ojapo awã, ore roiko teko nativa, há’eramo xee avy’a frases xeru Olivio Jekupe ijayvu rã nhande guarani nhambopara literatura nativa.

PINDORAMA – Você conhece outros escritores indígenas?

JEGUAKÁ MIRIM – Bom, meu pai é escritor, mas conheço o Daniel, a Eliane, a Jerá, o Roni, Tiago, o Crsitino… Mas sei que tem muitos outros escritores.

PINDORAMA – Reikuaa pa amboae nhande va’e ombopara va’e?

JEGUAKÁ MIRIM – Taa, xeru ma ombopara va’e, va’eri aikuaa, Daniel, Eliane, Jerá, Roni, Tiago, Cristino aikuaa oikove rã, amboae kuery ombopara va’e.

PINDORAMA – Caso queira, deixe alguma mensagem para os leitores do blog.

JEGUAKÁ MIRIM –  Espero que os professores possam conhecer meus livros, pois sei que sou o escritor indígena mais jovem do Brasil, mas já viajei por vários lugares junto com meu pai pra dar palestra, como Rio de Janeiro, algumas cidades de São Paulo, Paraná e até no Rio Grande do Sul.

PINDORAMA – Emondouka ndeayvua, blog pe.

JEGUAKÁ MIRIM – Professor kuery oikuavã rami xe kuaxia, aikuaa xee escritor kunumin ve va’e

guarani Brasil pygua, va’eri xeru revê aiko mã palestra ajapo awã, rio de janeiro py, amonguepy são Paulo py ae, parana, há’egui Rio Grande do Sul.

Werá Jeguaka Mirim, escritor e tradutor, nasceu em 2001, morador da aldeia krukutu, é do povo guarani.

Wera Jeguaka Mirim, ombopara va’e o traduzir, oiko 2001 py, oikoa tekoa krukutu, nhande va’e guarani.

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PARA MAIS INFORMAÇÕES VISITE PANDA BOOKS OU ENTRE EM CONTATO ATRAVÉS DO E-MAIL: oliviojekupe@yahoo.com.br

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