BRASIL FANTÁSTICO: Entrevista com Bianca Duarte.

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Natalie Duarte e Bianca Duarte.

O projeto era ambicioso; catalogar mais de 200 lendas da cultura ancestral brasileira e transformá-las em ilustrações; o objetivo era elaborar um trabalho para a conclusão do curso de Artes. Mas ao longo do processo, as gêmeas Bianca e Natalie Duarte perceberam que o projeto já estava ganhando vida própria e o meio acadêmico já havia se tornado pequeno para a proporção que o trabalho tomava.

Assim surgiu o projeto Brasil Fantástico; que faz um trabalho de resgate e releitura de diversas lendas espalhadas pelo Brasil, através das ilustrações dessas grandes artistas, que já começam sua carreira com o pé direito.

Conseguimos uma entrevista exclusiva com Bianca Duarte, uma das idealizadoras do projeto.

PINDORAMA – Fale um pouco sobre o projeto Brasil Fantástico. Como surgiu a ideia para o projeto?

BIANCA – Foi uma junção de fatores. Sempre houve um interesse por minha parte e de minha irmã na mitologia nacional,tumblr_ndf194emp71u172rzo1_500 porque minha mãe e minhas avós contavam essas histórias quando éramos crianças. No entanto, a maioria das pessoas hoje pode contar as lendas que conhece nos dedos de uma mão. A representação é insuficiente e isso não gera interesse no público, que acaba se apegando à mitologias estrangeiras. O projeto tem como foco exibir a mitologia brasileira e compartilhar cultura, fazer com que essas lendas cheguem às pessoas, e ajudar a valorizar e divulgar o quão maravilhosa é nossa cultura ancestral.

PINDORAMA – Desde que vocês deram início ao Brasil Fantástico tiveram que pesquisar lendas de várias regiões do país. Como tem sido esse processo? Isso tem acrescentado algo a vocês, além do conhecimento dessas histórias?

BIANCA – O processo tem sido maravilhoso. Descobrimos livros, sites, publicações antigas a respeito, mas a melhor parte é conversar com as pessoas. Colegas de faculdade de várias cidades me contam lendas locais, as pessoas já vêm até nós e perguntam “Ei, vocês conhecem tal lenda?”, é incrível! Já catalogamos mais de 200 e a lista só cresce, a troca tem um valor inestimável.

tumblr_njmwxnDrFJ1u172rzo1_1280PINDORAMA – Até agora, qual foi a lenda com a qual você mais se identificou. Por quê?

BIANCA – Gosto muito da lenda do Uirapuru, da índia Moema que morreu de amor. Na verdade, gosto muito de todas as histórias em que Tupã ajuda os mortais e por vezes os transforma em deuses, como é o caso da Iara e da lenda do Guaraná, também! Acabei criando um apego muito grande com Tupã, e também com Jaci e Guaraci, a lua e o sol.

PINDORAMA – Como surgiu o interesse pela cultura indígena?

BIANCA – É um universo belíssimo. Eu comecei a pesquisar lendas brasileiras com todas as origens, muitas são versões de lendas europeias e africanas, mas as histórias indígenas são o que temos de mais belo e original, isso é a origem do povo brasileiro. Foi quando eu percebi que teria que fazer isso por fases, e no primeiro momento meu foco é no panteão Tupi-Guarani. Eu tenho ilustrado os deuses que residem no monte Ibiapaba e minha irmã ficou com os do submundo, chefiados pelo Anhangá.

PINDORAMA – Na sua opinião, qual a importância da cultura indígena para a sociedade brasileira?

BIANCA – Acho que a cultura tem que ser divulgada e valorizada. As crianças hoje conhecem as lendas nórdicas, celtas, japonesas, mas não conhecem o que está aqui, bem na nossa frente. O material disponível é escasso e limitado, quase não há ilustrações. Diversas das lendas que encontramos são assim, tem às vezes uma única linha de texto sobre elas. Muito da cultura indígena foi destruído, mas essa é nossa origem. As pessoas se encantam com várias lendas que encontramos, já ouvimos coisas como “Não tinha ideia que havia histórias assim aqui”. É tudo uma questão de fazer isso chegar até as pessoas.

PINDORAMA – Além das ilustrações compartilhadas no blog, há outro tipo de trabalho sendo desenvolvido?tumblr_nhzphoF0IQ1u172rzo1_500

BIANCA – As ilustrações do blog são algumas das que fizemos com pintura digital, que eu e minha irmã adoramos, mas tem muitos trabalhos em tela também. Ano passado concluí um painel de 16 telas com deuses indígenas, e minha irmã tem um livro de lendas em processo, com páginas de tecido e ilustrações incríveis. O plano é fazer uma exposição em Salvador, e então ilustrar todas elas para uma enciclopédia e, por fim, uma história em quadrinhos!

PINDORAMA – Esse projeto começou como um trabalho de conclusão de curso, e é um trabalho maravilhoso, tanto pela qualidade das ilustrações quanto pela missão de resgatar lendas antigas e revivê-las através da arte. Vocês pretendem dar continuidade ao Brasil Fantástico fora do meio acadêmico?

BIANCA – Apesar de neste momento se tratar de um trabalho de conclusão de curso, essa parte vai apenas até a exposição. Depois ainda tem muito por vir, quem sabe fazer isso circular pelo país! Acredito que agora seja mais um trabalho pra vida toda. Não temos a intenção de parar com o projeto “Brasil Fantástico” tão cedo!

PINDORAMA – Você citou que há um projeto também que envolve a produção de uma HQ. Há alguns trabalhos fantásticos sendo desenvolvidos no Brasil utilizando-se o gênero HQ, mas quando se trata de cultura indígena, o tema ainda é pouco explorado, limitando-se a releituras de obras já consagradas ou de representação dos povos indígenas através de algum personagem na trama. O quanto podemos esperar de cultura indígena no trabalho de vocês?

tumblr_nhots0JE6f1u172rzo1_500BIANCA – Temos a intenção de colocar alguns personagens de partes diversas do país, e nesse caso temos a Arabi, que é amazonense mas no momento mora em São Paulo, e é ela quem decide catalogar essas histórias, junto com alguns estudantes de diversas partes do país. As lendas vêm de todos os lugares, e algumas pessoas as conhecem, mas poucas creem nelas. A Arabi acredita no que ela pesquisa, e ela tem uma forma diferente de enxergar as coisas, uma relação diferente com as tradições. E também tem o André, um ribeirinho que quando era bebê foi levado pelo curupira e devolvido sete anos depois. O André é quem tem o contato mais forte com esses seres. Então, quando esse grupo vai para o norte e começa a ter contato com algumas lendas cara a cara, e é quando a história começa a desenrolar!

PINDORAMA – Caso queira, faça suas considerações finais para os leitores do blog.

BIANCA – Bom, antes de mais nada, obrigada pela chance de divulgar esse trabalho, que é tão importante para nós. Estamos tentando ao máximo representar essas histórias com qualidade e respeito, e o processo, apesar do trabalho, é muito prazeroso. Esperamos que continuem acompanhando o blog “Brasil Fantástico”, pois ainda tem muita coisa por vir!

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PARA MAIS INFORMAÇÕES VISITE O BLOG BRASIL FANTÁSTICO.

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