AS NAÇÕES DE PINDORAMA

OS ANCESTRAIS  (continuação)

Continuando o texto  Os Ancestrais, vamos conhecer um pouco mais sobre as Nações de Pindorama.

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Terra, Água, Ar e Fogo.

As diversas tribos se comunicavam, cada uma a seu modo, com os espíritos da natureza e suas divindades, ou seja, com as outras formas de vida: os seres da terra, da água, do fogo e do ar; os espíritos superiores: seres-trovões, seres-estrelas, seres-arco-íris; os espíritos intermediários: povo-planta, povo-pedra e os animais. Desenvolveram uma sensibilidade para sentir e contatar e interagir com as energias da terra, respeitando-a como uma divindade. Desenvolveram uma compreensão das polaridades que regem a vida presente em todas as vidas, que nomearam: sol e lua, o movimento e o repouso, o feminino e o masculino, o dia e a noite, o Jeguaka e o Jasuka (emblema feminino e emblema masculino), o Katamiê e o Wakmiê.

Os Tupinambá saíam de suas aldeias sagradas e acabaram encontrando pelos caminhos que iam abrindo, fundando novas aldeias, as tribos da terá, os que estavam aqui desde antes do Dilúvio, a quem chamavam Tapuia.

Mas quem eram os Tapuia, filhos desse chão?

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Sol e Lua. A dualidade.

Não era um povo único. Eram muitos povos, brotados de diversos lugares: cerrado, litoral atlântico, serras. Que cresciam no ritmo da terra e que repentinamente acabavam se deparando com os filhos do Sol.

Desses povos, este solo guarda fragmentos milenares, que a arqueologia recompõe, revelando aos poucos sua caminhada no início de seu florescimento.

Os Tapuia, na visão dos Tupinambá, precisavam acordar seus nomes. Já os Tupy-Guarani acharam que eles precisavam recordar seus nomes. Aparentemente, não há muita diferença entre um termo e outro. Mas isso significou maneiras totalmente opostas de lidar com os filhos da terra.

Segundo a tradição, diz-se que nessa época os mil povos Tapuia tinham mais consciência da dimensão do sonho, e muitas tribos desenvolveram seu aprendizado a partir das lições que o sonho trazia. De modo que eles herdaram de ciclos imemoriais passados a Tradição do Sonho.

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“O Filtro dos Sonhos” é um artefato indígena norte-americano. A tradição do sonho parece ter sido compartilhada por vários povos ancestrais no continente americano.

Os povos da tradição tupi chegaram a tecer templos-cidades chamados Paititi, Manoa, Uinani, que hoje se tornaram mistérios envoltos em brumas de Jakairá, enquanto os chamados Tapuia teceram cantos e danças que ligavam o Sonho com a Terra, no gesto das cerimônias. Ritos que servem até hoje para sustentar a fé da Mãe Terra em sua dança agrada no universo, pois por esses caminhos ela sabe a profunda razão do seu voo.

JECUPE, Kaka Werá. A terra dos mil povos: a história do Brasil contada por um índio. São Paulo: Peirópolis, 1998. p. 27-28.

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