AS NAÇÕES DE PINDORAMA

OS ANCESTRAIS

Quando os Tupi chegaram, encontraram nessas terras diversas nações. Quando procuramos informações sobre o passado da América, percebemos que as migrações dos povos era algo constante; os motivos eram diversos, desde a seca de um rio às fugas por perseguições de um grupo mais forte, como aconteceu no caribe, que levou grupos a migrarem para o sul, fugindo das perseguições dos Astecas. Quando os europeus chegaram na América central, as guerras se intensificaram, o que aumentou também o processo de migração.

Mas retornemos a Pindorama. Iremos apresentar aqui um pouco da História das Nações das quais descendem nossos ancestrais. Para isso, escolhemos apresentar trechos da obra de Kaka Werá, A terra dos mil povos, pois se trata de uma obra inspirada pelo Espírito da terra, obra que apresenta informação, mas através de uma linguagem poética, o que nos leva a viajar para um passado mítico e rico. A forma como os conceitos são apresentados na obra, garante ao tema muito respeito e desperta nossa admiração pelos povos ancestrais. Como é um assunto extenso, iremos dividir o tema e apresentá-lo em postagens mais curtas.

Começaremos com “Os Ancestrais”.

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Tupi

Antes de prosseguir, convém saber mais sobre o pensamento indígena, baseado na síntese de sua memória cultural, acerca de “ancestrais”, de “fundação do mundo” e de “humanidade”. Ancestrais são também conhecidos como Trovões Criadores ou Anciães Arco-Íris, ou Pássaros-Guerreiros; as nomeações variam de povo para povo e dependem também da época dos ciclos imemoriais em que se ergueram. Mas, em essência, os quatro principais troncos culturais nativos – Tupy, Aruak, Karib e Jê – trazem essa definição como parte do que poderíamos chamar de “filosofia indígena”, segundo a qual dentre os Trovões Criadores há os que são encarregados de criar “mundos” e os incumbidos de criar “humanidades”. Fazem parte do poder criador dos ancestrais primeiros o Sol, a Lua, o Arco-Íris, a Terra, a Água, o Fogo e o Ar, regidos por Jakairá, Karai Ru Ete, Tupã, Namandu, e estes por sua vez colaboram para gestar a tribo humana. Para o povo indígena, a natureza não atua mecanicamente dentro da Mãe Terra.

Cada nação ou clã guarda em sua memória cultural a sua ascendência dentro do reino da natureza de acordo com o pensamento de ancestralidade. Guarda a memória dos pais e da interação desses, ou, como dizem, do namoro dos Pais Trovões com a Mãe Terra.

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Pintura Xavante

Alguns exemplos: o povo Karajá mantém através da sua memória cultural o reconhecimento de que veio do Espírito das Águas, ou seja, para ingressar no reino humano passou pelas Águas, reconhecidas como um Espírito-Mãe a que ele denomina Aruanã; o povo Tupy-Guarani mantém em sua memória o reconhecimento de que foram gerados pelo Sol e pela Lua quando estes habitaram a terra como Homem-Lua e Mulher-Sol; o povo Xavante pinta em seu rosto um “girino” para referenciar a origem humana a partir das águas e pinta o seu corpo de vermelho e preto com traços que aludem à ancestralidade.

No passado era difícil compreender o conceito indígena de ancestralidade, mas hoje em dia, como o reconhecimento científico de que o ser humano passa por vários estágios evolutivos até chegar ao homem, talvez seja mais fácil reconhecer esse pensamento.

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Tupinambá

Houve um tempo em que a Tradição do Sol e da Lua foram quebradas e o índio perdeu a consciência do sentido de suas duas partes antepassadas: Tupinambá e Tupy-Guarani. Naquele momento havia no Brasil algumas civilizações nativas, nomeadas Tapuia pelos Tupinambá.

Os dois clãs que se partiram eram mais velhos de espírito e herdavam um grande conhecimento quando seus antepassados habitavam terás anteriores a esta, que foram submergidas pelo ato de Tupã na mudança da estação passada da Terra.

Esses clãs desenvolveram uma medicina e uma tecnologia intimamente ligadas à Mãe Terra, porém tinham divergências entre si. Uma parte, o clã Tupinambá, tinha a ascendência ligada ao Sol e se tornou expansiva. A outra parte, os Tupy-Guarani, tinha a ascendência ligada à Lua e se tornou mais introspectiva. Os filhos da Lua continuavam o culto à Mãe Terra, pois sabiam-se intimamente parte dela. Os filhos do Sol desejaram se expandir pelos quatro cantos da Terra. Achavam que tinham que civilizar os clãs que eles nomeavam Tapuia, passando a ciência e a tecnologia das terras que as águas afundaram.

JECUPE, Kaka Werá. A terra dos mil povos: a história do Brasil contada por um índio. São Paulo: Peirópolis, 1998. p. 27-28.

Continua…

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