OS TUPI

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A História de Pindorama começa com a chegada do povo Tupi.

Isso não significa que antes dos Tupi não vivia ninguém nessas terras, mas foram os Tupi que a batizaram de Pindorama e através de sua migração, e contato com os povos que viviam aqui, que sua cultura e  seu conhecimento vai se espalhando, o que vem a caracterizar Pindorama.

No século XIX, o cientista dinamarquês Peter Wilhelm Lund descobre ossadas em uma caverna em Lagoa Santa – MG. Eram os vestígios mais antigos de ocupação humana em nossas terras, descobertos até então. Na época de Lundi, alguns pesquisadores já haviam encontrado vestígios de uma grande catástrofe ocorrida no passado, que havia inundado boa parte das terras no planeta. Lund era adepto dessa teoria, e a essa inundação “denominou Diluvium, como proposto por William Buckland” (NEVES, 2008); hoje podemos atribuir essa época ao período que se sucede ao fim da última Era do Gelo.

Então, há indícios de ocupação humana no Brasil desde o fim da última Era do Gelo. Esse fato pode ser observado através dos diversos sítios arqueológicos espalhados pelo território nacional, sendo que alguns desses sítios ainda se mostram impossíveis de serem datados. Assim, quando os Tupi chegaram nessas terras, encontraram diversos povos, com sua cultura própria, sua língua, etc, vivendo por aqui. Eles chamaram esses povos de tapuy-ú – tapuia, bárbaro –, pois os Tupi já dominavam técnicas de agricultura, tinham uma mitologia rica, com uma teogonia complexa, e julgaram sua cultura superior às culturas dos outros povos que já viviam aqui.

Ainda não se sabe ao certo qual a origem dos Tupi. Pesquisadores descobriram, até então, vestígios de uma língua proto-tupi; mas há pouca informação sobre ela e sua origem ainda é desconhecida.

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Lutadores de Huka Huka.

Luiz Caldas Tibiriça, conhecido por seus estudos em língua tupi, propôs uma origem comum entre o idioma japonês e o tupi antigo, mas essa teoria não foi bem aceita no meio acadêmico. Ele publicou sua teoria através da obra Estudo Comparativo do Japonês com Línguas Ameríndias em que aborda algumas questões que norteiam as coincidências entre os dois idiomas. Nessa obra o autor também aponta coincidências da língua japonesa com outras línguas nativas encontradas na América. A capa do livro mostra dois homens lutando Huka Huka e dois homens lutando Sumô, o autor aponta a semelhança entre essas modalidades de luta como um fator que poderia justificar uma origem em comum entre esses povos, mas então poderíamos dizer que também os gregos antigos teriam a mesma origem, pois a Huka Huka é muito parecida com a Palé, luta que teve origem na Grécia antiga. Também há coincidências entre o grego e o japonês. Por exemplo, a frase, “Qual é o seu nome”, que, entre outras formas, aparece no japonês como “Onomae wa nan desuka”; e no grego antigo temos “Ônoma môi estí...”, que significa algo como “meu nome é…”, sendo “onoma”, no grego antigo, a palavra que indica “nome próprio”. Existem várias coincidências entre os povos antigos que viviam espalhados pelo mundo, o que é algo normal, já que a humanidade nunca viveu isolada, e costumes, palavras, cultura, etc, sempre voaram com o vento. Assim como hoje todas as culturas compartilham semelhanças, que se tornam mais intensas com o processo de globalização ampliado pela tecnologia, não vejo como poderia ter sido diferente no passado, mesmo sem os meios tecnológicos dos quais dispomos hoje, pois já está mais que comprovado que diversos grupos humanos se deslocavam, no passado, por toda a Terra, embora fosse um deslocamento bem mais lento que o deslocamento que observamos hoje, mas isso não impediu os povos de se influenciarem mutuamente. Assim, a teoria de Tibiriça necessita ainda de elementos mais significativos para ser levada em consideração, mas isso não a descarta, somente a coloca de molho, à espera de algum curioso que a comprove ou a refute de vez.

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Lutadores de Palé.

O que se acredita é que os Tupi começam a migrar a partir de uma região onde hoje se encontra o estado de Rondônia. Eles seriam ainda um povo proto-tupi. De lá se expandiram pelo território nacional até chegarem ao litoral no Atlântico. Nesse processo migratório, o povo Tupi se divide em várias nações, se misturando a outras etnias ou simplesmente criando grupos distintos por várias razões, como uma simples disputa familiar, por exemplo. Um desses grupos são os Guarani – guerreiros, em tupi – que acabam se diferenciando em aspectos linguísticos e culturais do seu tronco original, razão pela qual hoje falamos em “Cultura tupi-guarani”. Quanto a datas, não há nada de concreto ainda, e os pesquisadores apresentam teorias diversas, sendo apresentadas datas que vão desde 3000 a.C (BROCHADO, 1989), a teorias que afirmam que a chegada dos Tupi teria ocorrido por volta de 500 anos antes da chegada dos europeus, ou seja, no ano 1000 d. C.

Devido à sua importância para a formação de Pindorama e por sua influência para a formação do povo brasileiro, a cultura tupi-guarani se torna um tronco importante a ser estudado e, a partir dele, toda a História do nosso povo, e dos povos antigos com os quais compartilhamos essas terras até hoje, é construída.

REFEÊNCIAS

BROCHADO, José Proenza. A expansão dos Tupi e da cerâmica da tradição policrômica amazônica. São Paulo: Dédalo, 1989. Disponível em: < http://leiaufsc.files.wordpress.com/2013/03/6-1-brochado-j-p-a-expansao-dos-tupi-e-da-cerc3a2mica-da-tradic3a7ao-policromica-amazonica.pdf >. Acesso em: 02 dez 2014.

JECUPÉ, Kaka Werá. A terra dos mil povos: a História do Brasil contada por um índio. São Paulo: Fundação Petrópolis, 1998.

MONTEIRO, John M. Tupis, Tapuias e Historiadores: estudos de História indígena e de indigenismo. Campinas: Departamento de Antropologia IFCH – UNICAMP, 2001. Disponível em: < http://www.ifch.unicamp.br/ihb/estudos/TupiTapuia.pdf >. Acesso em: 02 dez 2014.

NEVES, Walter Alves; PILÓ, Luís Beethoven. O povo de Luzia: em busca dos primeiros americanos. São Paulo: Globo, 2008.

TIBIRIÇA, Luiz Caldas. Estudo Comparativo do Japonês com Línguas Ameríndias: evidência de contatos pré-colombianos. São Paulo: Arte e Ciência, 2003.

WIKIBOOKS. Civilização Tupi-Guarani/História. Disponível em: <http://pt.wikibooks.org/wiki/Civiliza%C3%A7%C3%A3o_Tupi-Guarani/Hist%C3%B3ria&gt; . Acesso em: 02 dez 2014.

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